Safra de café em Minas Gerais deve atingir 33,4 milhões de sacas em 2026
Levantamento do Sistema Faemg Senar ouviu produtores de 5.155 propriedades em 269 municípios e abrange cerca de 90% da produção de café arábica no estado
A produção de café arábica em Minas Gerais deve chegar a 33,4 milhões de sacas em 2026, segundo a primeira Pesquisa Safra Café, realizada pelo Sistema Faemg Senar. O levantamento foi apresentado na quarta-feira (9), no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha, no Sul de Minas.
Considerado o maior levantamento de campo já realizado sobre a cafeicultura mineira, o estudo reuniu informações de 5.155 propriedades rurais distribuídas por 269 municípios, abrangendo aproximadamente 90% da produção estadual de café arábica.
A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de retratar a realidade das lavouras a partir de dados coletados diretamente com os produtores. O levantamento considera informações como área cultivada, produtividade, andamento da colheita, volume produzido, produção ainda disponível nas lavouras, condições climáticas e fitossanitárias e expectativas dos cafeicultores.
A estimativa de 33,4 milhões de sacas é 1,8% superior à projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em maio, e 4,7% acima da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentada em março.
Segundo o Sistema Faemg Senar, a comparação com outros levantamentos não tem o objetivo de estabelecer uma disputa entre as estatísticas, mas de ampliar as informações disponíveis sobre a produção, utilizando dados obtidos diretamente no campo.
O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, destacou que a iniciativa pretende contribuir para o planejamento do setor e fortalecer a representação dos produtores.

Os dados passaram por metodologia estatística com respaldo científico da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio do Centro de Inteligência em Mercados.
A estimativa para 2026 também representa um crescimento de aproximadamente 32,5% em relação à projeção da Conab para a safra de 2025. Como esta é a primeira edição da pesquisa, ainda não há uma série histórica própria que permita comparar a evolução da produção nos próximos anos.
Para a analista de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, a geração de informações diretamente nas propriedades pode auxiliar os cafeicultores na tomada de decisões relacionadas à produtividade, investimentos e custos.
A expectativa é que o levantamento seja ampliado nas próximas edições, incluindo outros estados e espécies de café.
O estudo também aponta o clima como um dos principais desafios da atividade. Ondas de calor, irregularidade das chuvas e precipitações durante o período de colheita têm exigido maior planejamento e capacidade de adaptação dos produtores. Nesse contexto, a coleta de dados sobre as condições das lavouras busca contribuir para o acompanhamento da cafeicultura e para o planejamento de toda a cadeia produtiva.