Diretora de Saúde de Paracatu é investigada por suposto uso de dinheiro público para cirurgias plásticas
Ministério Público aponta que servidora teria usado o cargo para conseguir procedimentos estéticos custeados pelo SUS; Justiça determinou bloqueio de bens
A diretora de Média e Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Saúde de Paracatu, é investigada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suspeita de utilizar a estrutura da saúde pública para realizar cirurgias plásticas de caráter estético com recursos públicos.
Segundo a ação civil pública, a servidora teria se aproveitado da função de comando para descumprir os protocolos de regulação e obter, em benefício próprio, uma mastopexia com prótese mamária e uma dermolipectomia abdominal. De acordo com o Ministério Público, os procedimentos foram realizados em abril de 2025 e custaram R$ 31.403,75 aos cofres públicos, por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto do Paranaíba (Cisalp).
A investigação teve início após uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do MPMG. Durante o inquérito, uma servidora responsável pela regulação de vagas afirmou que recebeu de Brenda um pedido verbal para agendar consultas e procedimentos, sem a apresentação de encaminhamento médico. Conforme o depoimento, a solicitação foi atendida em razão da relação de subordinação entre as duas.
Ainda segundo o Ministério Público, a diretora não seguiu o fluxo regular adotado para pacientes da rede pública. Os promotores também apontam que um laudo médico que buscava justificar o caráter reparador das cirurgias foi apresentado apenas meses após a realização dos procedimentos e depois do início das investigações.
No dia 3 de junho, a Justiça determinou o bloqueio de bens de Brenda Tavares Moura até o limite de R$ 35.346,39, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento ao erário caso haja condenação. A decisão também autorizou o bloqueio de valores em contas bancárias pelo sistema SisbaJud, além da restrição para transferência de veículos registrados em nome da investigada por meio do Renajud.

A servidora deverá apresentar defesa no prazo de 30 dias. O Município de Paracatu também foi notificado para informar se pretende integrar a ação movida pelo Ministério Público.