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Moraes vota por condenação de Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado

Moraes vota por condenação de Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (9) pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. Relator do caso, Moraes foi o primeiro a se posicionar no julgamento que ocorre na Primeira Turma da Corte, composta também pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado.

Segundo o voto do relator, Bolsonaro liderou uma organização criminosa que buscava manter o ex-presidente no poder e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Procuradoria-Geral da República denunciou os envolvidos por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.

Nos crimes de dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, Moraes votou pela condenação de sete réus, exceto do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que teve a ação suspensa pela Câmara dos Deputados.

Além de Bolsonaro, também são julgados:

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;



  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

  • General Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;

  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;



  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.



Provas apontadas pelo relator

Moraes destacou uma série de evidências que, segundo ele, demonstram a tentativa de ruptura democrática. Entre elas, estão:

  • A live de julho de 2021, em que Bolsonaro fez ataques sem provas às urnas eletrônicas, disseminados por milícias digitais.

  • A reunião ministerial de julho de 2022, classificada por Moraes como “confissão” dos presentes sobre um plano de golpe.



  • A reunião com embaixadores, em julho de 2022, quando o então presidente repetiu ataques ao sistema eleitoral perante diplomatas estrangeiros.

  • As operações da PRF no segundo turno de 2022, consideradas pelo ministro como ação coordenada para dificultar o voto, especialmente no Nordeste.

  • O documento “Punhal Verde e Amarelo”, que previa a neutralização de autoridades e teria sido impresso dentro do Palácio do Planalto.



  • As minutas golpistas, que mencionavam prisão de ministros e intervenção no TSE.

  • Os atos violentos de dezembro de 2022 e a invasão de 8 de janeiro de 2023.

Para o relator, o conjunto das provas é “cabal” e demonstra a existência de uma organização criminosa hierarquizada, liderada por Bolsonaro, com objetivo de instaurar um regime autoritário.



As penas ainda serão discutidas, e a expectativa é que o julgamento seja concluído até sexta-feira (12).

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