Grêmio Estudantil do IFTM manifesta repúdio à nomeação de professor condenado em caso de trabalho análogo à escravidão
Entidade estudantil questiona contratação de docente envolvido no caso Madalena Gordiano e defende compromisso das instituições de ensino com os direitos humanos.
O Grêmio Estudantil UNIO IF, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) Campus Patos de Minas, divulgou nesta terça-feira (23) uma nota pública em que manifesta repúdio à nomeação do professor Dalton Cesar Milagres Rigueira para o cargo de docente no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). A manifestação tem como base a condenação judicial do professor no caso envolvendo Madalena Gordiano, vítima de trabalho análogo à escravidão por décadas.
O caso ganhou repercussão nacional após o resgate de Madalena, realizado por auditores fiscais do trabalho em 2020. As investigações apontaram que ela viveu por anos submetida a condições degradantes, sem remuneração adequada e sem acesso a direitos trabalhistas. A Justiça reconheceu a prática de trabalho análogo à escravidão e responsabilizou os envolvidos.
Na nota, os estudantes classificam o episódio como uma grave violação dos direitos humanos e destacam que situações dessa natureza ferem princípios fundamentais, como a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a justiça.
O Grêmio também ressalta que instituições públicas de ensino devem estar comprometidas com valores como ética, inclusão, respeito aos direitos humanos e combate a todas as formas de exploração e violência. Segundo a entidade, o exercício da função pública, especialmente na área da educação, exige conduta compatível com os princípios que devem ser transmitidos à sociedade.
A manifestação ainda expressa solidariedade a Madalena Gordiano e a outras vítimas de trabalho análogo à escravidão, reafirmando o compromisso da entidade estudantil com a defesa dos direitos humanos e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Ao final do documento, o Grêmio destaca a importância de preservar ambientes educacionais pautados pela confiança, pelo respeito e pela segurança de toda a comunidade acadêmica.
A nomeação do professor tem gerado repercussão em diferentes regiões do país, mobilizando estudantes, entidades e organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, que questionam a compatibilidade da condenação com o exercício da docência em uma instituição pública de ensino.