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Ministério orienta estados e municípios a manterem vacina da dengue do Butantan em estoque até nova avaliação

Ministério orienta estados e municípios a manterem vacina da dengue do Butantan em estoque até nova avaliação

O Ministério da Saúde determinou que estados e municípios mantenham armazenadas as doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan até que uma nova orientação seja emitida. A medida ocorre após a suspensão temporária da aplicação do imunizante, anunciada na última segunda-feira (8), devido ao registro de 42 casos de reações graves e duas mortes que estão sendo investigadas para verificar possível relação com a vacina.

Segundo o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, nenhuma nova dose será distribuída neste momento. A orientação é que os imunizantes permaneçam conservados na rede de frio dos estados e municípios até a conclusão das análises.

Os casos foram identificados pela vigilância de rotina do PNI. Entre os sintomas observados estão dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e perda de consciência. Também foram registrados três casos com quadro compatível com dengue grave, que exigiram internação. Duas dessas ocorrências evoluíram para óbito.

Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas receberam a vacina do Butantan. A imunização foi aplicada em profissionais de saúde e pessoas com mais de 15 anos nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).

De acordo com o Ministério da Saúde, a suspensão tem caráter preventivo e não significa que o imunizante tenha perdido eficácia na proteção contra a dengue. Os eventos adversos registrados são considerados raros e não haviam sido identificados durante os estudos clínicos.

Gatti destacou que situações desse tipo podem surgir quando uma vacina passa a ser utilizada em larga escala, permitindo a identificação de eventos muito incomuns. Para ele, a detecção dos casos demonstra a eficiência do sistema de vigilância do Programa Nacional de Imunizações.



A expectativa da pasta é que novas notificações possam surgir após a divulgação dos casos e da suspensão temporária da vacinação, uma vez que profissionais de saúde e pacientes passam a estar mais atentos a possíveis sintomas relacionados.

O alerta é direcionado principalmente às pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. Nesse período, elas devem observar sinais como febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e vômitos. Caso apresentem algum desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Já aqueles que receberam a vacina há mais de 21 dias, segundo o Ministério da Saúde, não apresentam risco relacionado aos eventos em investigação e permanecem protegidos contra a doença. Dados apresentados pelo governo indicam que a vacina reduz em cerca de 65% a ocorrência da dengue e em mais de 80% os casos graves e as hospitalizações.



Um comitê de especialistas será responsável por analisar os registros identificados pela vigilância e definir os próximos passos. Ainda não há previsão para a divulgação de uma decisão definitiva sobre a retomada da aplicação do imunizante.

Enquanto isso, a vacina Qdenga, produzida pela Takeda Pharmaceutical Company e utilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo aplicada normalmente. Segundo o Ministério da Saúde, o imunizante não apresentou qualquer sinal de segurança que justificasse alteração na estratégia de vacinação.



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