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Nova espécie de perereca é descoberta em afluentes do Rio Paracatu, no Noroeste de Minas

Nova espécie de perereca é descoberta em afluentes do Rio Paracatu, no Noroeste de Minas

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de anfíbio no Cerrado do Noroeste de Minas Gerais. Batizada de Ololygon paracatu, a perereca foi encontrada em afluentes do Rio Paracatu e chama a atenção pelo pequeno porte e pelo canto característico, semelhante ao som emitido por insetos noturnos.

De acordo com a bióloga Daniele Carvalho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (RAN-ICMBio), a vocalização da espécie é um dos principais elementos que permitiram sua identificação.

“O canto é semelhante a um pequeno assobio curto, lembrando o som de grilos ou outros insetos noturnos”, explicou a pesquisadora.

Segundo a especialista, cada espécie de perereca possui uma espécie de “assinatura sonora”, que auxilia no reconhecimento entre indivíduos da mesma espécie. Essas vocalizações são fundamentais para o processo reprodutivo, permitindo que as fêmeas identifiquem os machos corretos e evitando cruzamentos com espécies semelhantes que compartilham o mesmo habitat.

Foi justamente por meio da análise dos cantos que os pesquisadores conseguiram diferenciar a Ololygon paracatu de outras espécies do mesmo grupo. Os sons são emitidos principalmente pelos machos durante o período reprodutivo, com a finalidade de atrair fêmeas e demarcar território.

A atividade reprodutiva ocorre em épocas específicas do ano, geralmente durante a estação chuvosa, quando há maior disponibilidade de água, condição essencial para o desenvolvimento dos girinos.



Espécie tem tamanho semelhante ao de uma colher de sopa

A Ololygon paracatu também se destaca pelo porte reduzido. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam entre 29,3 e 35,2 milímetros de comprimento, tamanho próximo ao de uma colher de sopa.

A medição considera a distância entre a ponta do focinho e a extremidade do corpo, sem incluir as patas.

Segundo Daniele Carvalho, o tamanho da nova espécie está dentro do padrão observado em outras pererecas do mesmo grupo que habitam a região.



“Ololygon paracatu possui tamanho intermediário, sendo maior que algumas espécies e menor que outras do mesmo grupo”, destacou a pesquisadora.

A descoberta reforça a importância do Cerrado mineiro para a biodiversidade brasileira e evidencia a necessidade de preservação dos ambientes naturais que abrigam espécies ainda pouco conhecidas pela ciência.



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