Comunidade de Guarda-Mor se reúne para manter tradição do modo de fazer farinha de mandioca

A farinha de mandioca está presente na alimentação dos mineiros desde o início do povoamento; nos momentos de fartura e nas crises de fome, nas mesas abastadas e nas carentes, tornando- se um alimento fundamental para os mineiros.

Segundo Cascudo (2007), a mandioca e seus derivados consumidos desde o início da colonização, têm sua origem na cultura alimentar indígena. Essa realidade mineira não difere no município de Guarda-Mor; por isso a necessidade de valorizar e consolidar a tradição do modo de fazer farinha de mandioca.

A comunidade Assentamento Nossa Senhora da Guia, no município de Guarda-Mor, por meio do associativismo organizado, está mantendo essa tradição. A intenção de legitimar o modo de fazer farinha de mandioca nessa comunidade é uma forma de dar continuidade à atividade, preservando a identidade e os costumes locais.

Existem dois processos de fabricação da farinha de mandioca, que obedecem basicamente à mesma sequência e cuja essência do saber permanece a mesma.

Há o processo artesanal, em que são utilizados a “tacha de cobre”, o “desintegrador”, a “prensa artesanal”, o “ralador”, o “rodo de torração”, a “peneira manual” e o “giral”. Já no processo mecanizado, são utilizados os seguintes instrumentos: o “lavador” de mandioca, o “moedor”, a “prensa”, a “peneira para coagem”, o “forno” e a “bacia” para esfriarem a farinha.

De acordo com a tradição oral, passada pelas famílias de geração em geração, é preciso seguir alguns procedimentos básicos que são: colher a mandioca, lavar e descascar, moer para que a mandioca se transforme em massa. Em seguida, a massa é levada para prensa, para que toda a água seja eliminada. Após esse processo, a massa fica em forma de blocos bem compactados, precisando que seja esfarelado e peneirado para separar a farinha fina da massa grossa, para depois ser torrada no tacho no processo artesanal e no forno giratório no processo mecanizado. Depois de torrada a farinha, é colocada em bacias para que ocorra o resfriamento em temperatura ambiente, assim a farinha é distribuída e levada para ser armazenada.

Diante da importância de se preservar o modo de fazer farinha de mandioca, o conselho do patrimônio histórico cultural, no ano de dois mil dezessete aprovou que o mesmo fosse inventariado como uma primeira forma de proteger esse bem imaterial.

A própria comunidade local sente a necessidade de que ações sejam executadas no sentido de preservar e manter a tradição local, para que ela não venha a se perder e desaparecer.

As tradições relacionadas à culinária necessitam de salvaguarda; por fazerem parte da identidade e da cultura. Diante disso, é preciso documentar para garantir a proteção e a defesa da tradição de saberes e ofícios envolvidos na produção da farinha, bem como contribuir para a valorização e a divulgação do patrimônio imaterial da cultura guardamorense.

Confira as etapas abaixo:

Lavagem e descascagem da mandioca
Moagem da mandioca
Prensagem da massa úmida
Peneiragem e esfarelamento
Torração da farinha
Farinha de mandioca pronta

Referência: Arquivos Casa de Cultura Guarda-Mor. IPAC 2017.

Revisão ortográfica: Adrivânea Nazar Guerra Gonzalez

Solange Cristina de Faria Dayrell

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *