Jorge Marra fica em silêncio durante segunda audiência de instrução sobre homicídio de Cássio Remis em Patrocínio

Minas Gerais

Testemunha também foi ouvida durante audiência realizada na tarde desta terça-feira (15); G1 entrou em contato com a defesa. Candidato a vereador foi morto após denunciar suposta obra irregular da Prefeitura; autor do crime é irmão do prefeito reeleito e está preso.

O autor dos disparos que mataram o candidato a vereador Cássio Remis em Patrocínio, Jorge Moreira Marra, permaneceu em silêncio durante a segunda audiência de instrução do caso realizada na tarde desta terça-feira (15). A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).



Ainda de acordo com o TJMG, uma testemunha de defesa também foi ouvida durante a audiência no Fórum da Comarca de Patrocínio com o juiz da Vara Criminal. Agora, o processo segue para as alegações finais das partes e, em seguida, o juiz decidirá se o autor irá a júri popular ou não.

G1 entrou em contato com a defesa de Marra, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.



Jorge Marra, irmão do prefeito reeleito da Patrocínio, Deiró Marra – está preso e foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo e de munições.

No início do mês, a defesa tentou soltura dele por meio de habeas corpus, mas foi negado pela Justiça. A primeira audiência foi no dia 27 de novembro quando parte das testemunhas de defesa e acusação foi ouvida.

Crime

Cássio Remis morreu na tarde do dia 24 de setembro após ser baleado pelo então secretário de Obras, Jorge Marra.

Antes de morrer, a vítima estava na Avenida João Alves do Nascimento mostrando o processo de revitalização, quando alegou na transmissão ao vivo que funcionários da Prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente a uma residência que seria o comitê de campanha do atual prefeito, Deiró Moreira Marra.



Nesse momento, Jorge Marra saiu de um veículo, tomou o aparelho da vítima e voltou ao carro. Conforme a Polícia Militar, em seguida, Remis foi atrás de Jorge Marra, que se dirigiu à Secretaria de Obras.

Na porta do local, o candidato tentou pegar o telefone de volta, mas Marra pegou a arma, atirou e fugiu. Toda ação foi registrada pelo circuito interno de segurança.

Segundo o delegado Renato Mendonça Cardoso, testemunhas relataram que depois que a vítima foi alvejada pelas costas e caiu no chão, o autor ainda deu mais três tiros.



Logo após o crime, o prefeito e irmão do autor, Deiró Marra, fez um pronunciamento e assinou a exoneração do secretário.

“Lamentamos tudo que aconteceu e essa sequência de fatos absolutamente injustificáveis, que culminaram na morte do vereador Cássio Remis por disparo de armas de fogo, infelizmente pelas mãos do meu irmão. Todas minhas diferenças de campo político sempre foram resolvidas através do debate, jamais tive qualquer atitude fora desse campo”, falou.

Dias após o crime, a viúva Nayara Cristine de Queiroz Remis contou que ele estava sofrendo ameaças.



Prisão

No dia após o crime, a arma usada por Jorge Marra para matar a vítima e a caminhonete da fuga foram encontradas em Perdizes. No dia 27 de setembro, ele se entregou na delegacia de Polícia Civil.

Segundo a investigação, Jorge Marra se apresentou de forma espontânea após um acordo feito com sua defesa e “cooperou com 99% das perguntas”.

Depois de depor por cerca de três horas, o acusado foi encaminhado para um presídio, uma vez que havia um mandado prisão preventiva contra ele. Depois, foi transferido para o Presídio Sebastião Satiro em Patos de Minas.



Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no dia 16 de outubro foi transferido para Penitenciária de Patrocínio I. Em dezembro, a defesa de Marra tentou soltura por meio de habeas corpus, mas o pedido foi negado.

Após ser exonerado pelo irmão, o prefeito Deiró Marra, um novo secretário de Obras assumiu a pasta na Prefeitura de Patrocínio.

O inquérito foi concluído em outubro e Jorge Marra indiciado por homicídio, porte ilegal de armas de fogo e roubo (por ter subtraído o celular da vítima).



A delegada de Homicídios, Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, também indiciou o motorista e outro funcionário por favorecimento, ao facilitar a fuga do autor do crime. As denúncias foram aceitas pelo MPMG.

Mãe eleita

Francisca Carneiro dos Santos, a Chiquita (PSDB), mãe de Cássio Remis, assumiu a candidatura para o Legislativo no lugar do filho e foi eleita com 2.701 votos, sendo a vereadora mais votada na cidade.

A vereadora eleita Francisca Carneiro dos Santos e o filho Cássio Remis — Foto: Reprodução Facebook

G1



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