Em entrevista ao Programa Liberdade Notícias, da Rádio Liberdade FM de Vazante, nesta terça-feira, 13 de junho, o Gerente Geral da Votorantim Metais, Unidade Vazante, Antonio Padron, explicou o ponto de vista da empresa sobre a seca que afeta trecho do leito do Rio Santa Catarina no município. Padron respondeu todas as perguntas do repórter e apresentador Maurício Araújo convicto que a crise hídrica que afeta todo o país é um dos principais causadores desta triste história.

Confira os principais trechos da entrevista:

Maurício Araújo: Em 2014 houve dolinas no Rio Santa Catarina. Tem alguma ligação entre o acontecimento em 2014 e neste ano de 2017?

Antônio Padron: Tem sim! A diferença é que neste ano está mais intenso. As nossas operações (Votorantim) estão idênticas a de 2014. Estamos bombeando o mesmo valor médio de água de 2014. A diferença é a crise hídrica. Nos últimos dois anos ela se agravou e muito. O próprio governo já manifestou a possibilidade de fazer um racionamento na bacia do Rio São Francisco – (confira reportagem do valor econômico sobre o assunto aqui). Então não é apenas o Padron falando. São pessoas competentes que  apontam essa crise hídrica.

Maurício Araújo: Isso significa que hoje a situação é mais crítica?

Antônio Padron: Sim! É mais crítico. Nós fazemos o controle da pluviometria anual, de julho a junho. Medimos de 1º de julho de 2016 e termina agora em 30 de junho 2017. A média histórica, dos últimos dez anos, traz uma média de 1350 mm, neste período. Porém neste último ano choveu apenas 789 mm. Então é pouco em relação a média história dos últimos dez anos.

Maurício Araújo: Por que o Rio Santa Catarina só secou naquela região e não acima ou a abaixo?

Antonio Padron: Aquela região é cárstica; possui um solo muito poroso que absorve bastante a água. Naturalmente naquele trecho o Rio Santa Catarina contribui com o aquífero durante o período de seca. Então é natural! Não seca após nossa após nossa por questão do solo, que possui rochas chamadas filito que são impermeáveis.

Maurício Araújo: Então para onde vai a água?

Antonio Padron: A água vem da região da cidade e corre em direção a nossa propriedade. É importante deixar claro que ela não vem em um volume fixo e depois some. Essa contribuição ocorre durante o trecho do rio, ou seja conforme do Rio vai andando a vazão vai diminuindo até chegar em nossa propriedade. Quanto a vazão do nosso lançamento, a água do Rio Santa Catarina vai para o aquífero, parte dela é bombeada, para que possamos fazer nossas operações, isso não é segredo para ninguém, todos sabem que precisamos fazer um rebaixamento pontual, e depois retornamos com essa água para o leito do rio. O que ocorre é circuito fechado. O Rio contribui com o aquífero, nós rebaixamento uma parcela desse aquífero e retornamos com essa água para o Rio Santa Catarina.

Maurício Araújo: O que a Votorantim vai fazer (ou está fazendo) para amenizar essa situação?

Antonio Padron: Primeiro vamos deixar claro que a dolina é um fenômeno natural, por causa do ambiente de Vazante. O que temos permissão para fazer é o tamponamento das dolinas, para evitar danos maiores. Nós acreditamos que a contribuição majoritária para seca do rio é a crise hídrica.

Maurício Araújo: E a qualidade da água que retorna para o Rio após as operações é confiável?

Antonio Padron: Nós fazemos constantemente o monitoramento da qualidade da água. Temos os parâmetros legais que temos que seguir e todos são atendimentos. São enviados relatórios para os órgãos ambientais de forma periódica. Então posso garantir que a água que lançamos no rio é de ótima qualidade.

Maurício Araújo: E como a Votorantim está explicando essa questão ao Ministério Público? 

Antonio Padron: Nós não respondemos nenhum processo. O ministério Público abriu um inquérito e não é contra a Votorantim Metais. É um inquérito para saber o que está causando a seca no Rio Santa Catarina. Então não é contra a empresa. Obviamente que por temos nossas operações ali fomos citados neste processo. A SUPRAM nos solicitou que fizéssemos um estudo para comprovar que não há co-relação entre as dolinas e o nosso cone de rebaixamento. Esse estudo já está em curso e temos até setembro para entregá-lo.

Maurício Araújo: A extração mineral, na lavra subterrânea, contribui ou não para o processo de dolinamento?

Antonio Padron: Quando nós fizemos o estudo de impacto ambiental, a própria Votorantim constatou que por estarmos atuando em ambiente cárstico, com probabilidade de ter dolinas de forma natural, a nossa operação, dependendo da forma que fosse realizada, poderia potencializar a ocorrência desse fenômeno natural. Então detectamos uma forma de operar e monitorar para ter certeza que não estaríamos contribuindo, potencializando o surgimento dessas dolinas. E isso tem se mostrado eficaz. Temos a convicção que não contribuímos para o surgimento dessas dolinas. Agora, esse estudo foi feito em cima de um cenário que nós entendemos que não é o cenário que nós temos hoje, que é a crise hídrica que assola todo território nacional. Então estamos trabalhando para rever nosso estudo em função da mudança do cenário que nós estamos atuando. Nós entendemos que precisamos fazer um estudo ambiental integrado. Nós não podemos apenas olhar nosso bombeamento. Temos que olhar a crise hídrica, as condições do rio e vários outros fatores que devem ser avaliados. Não é apenas a Votorantim que tem que rever a forma de operar em razão da crise hídrica. Tem várias empresas que devem rever também, além da comunidade, governo todos devemos rever uma forma de controlar essa crise hídrica.