Ser atleticano é desfrutar de um intenso romance com a vida e ser amante da emoção. É abrir mão da vivência na passividade para deixar os sentimentos a mercê de um eterno suspense. É estar apto a testar os limites de sobrevivência, quando o coração, bombardeado por uma estrondosa adrenalina, ameaça sair, buscando refúgio dessa amarga doçura.

Ser atleticano é amar as cores alvinegras mais que o dourado ouro e no adorno preto no branco decorar a existência. É supervalorizar a raça em detrimento a técnica morosa e deixar o sangue quando não se pode doar a vida.

Ser atleticano, indubitavelmente, não é ser um torcedor comum. É gritar Galo em momentos e lugares inadequados, é vestir o sagrado manto nas mais inusitadas ocasiões. É, sobretudo, confundir o mais moderno simpatizante.

Ser atleticano é continuar sendo, mesmo que os intransigentes rivais nos caçoem pelos acachapantes reveses, ainda que os muitos “Simons” não aponte a marca da cal ou que os inescrupulosos Wrights nos deixem em desvantagens numéricas. É ter esperança mesmo que os Riascos partam para bola na imensidão de um Horto mal-assombrado… é acreditar, por mais que os placares inversos nos forcem, em pouco tempo, fazer uma chuva de gols na sequidão das oportunidades.

Ser atleticano é amar o autêntico Atlético. O ORIGINAL. Os outros que sejam goiano, paranaense, madrilenho. O nosso destoa por ser Galo, rei desse terreiro que se expande, alargando além das fronteiras das Gerais.

Ser atleticano está consideravelmente acima de gostar de futebol, de títulos e por modismo aparecer em meros momentos de triunfo. É abraçar o escudo junto com a própria história, lutar contra o tempo, as injustiças e o vento, se esse, por atrevimento ousar soprar ao contrário, pois como diria Roberto Drummond, “Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento.”