Flávio Nunes, assessor de comunicação, estudante de Jornalismo. Precisou de alguns anos de vida para perceber que nasceu com o imensurável dom de encantar-se com as cores alvinegras da mais grandiosa, envolvente e apaixonante instituição futebolística do mundo, a saber, o Clube Atlético Mineiro ou simplesmente Galo.

 

Quem não se lembra de Ronaldinho Gaúcho no intervalo do jogo contra o São Paulo, em 2013, ainda na fase classificatória da Libertadores… Na ocasião, o Galo, já classificado em primeiríssimo lugar, apenas cumpria tabela contra o desesperado Tricolor paulista.

“Para falar a verdade, não estou preocupado. Isso tudo pra gente é um grande treino para a próxima fase.” Enfatizou o Bruxo, minutos antes da derrota por 2 a 0 no Morumbi. O Atlético ressuscitara o adversário já quase eliminado. Seria o despertar de um gigante? O time com mais títulos internacionais entre os brasileiros, agora, consolidaria toda sua experiência “copeira” contra os alvinegros?

E a imprensa tratou logo de transformar em oceano, o pingo d’água destilado pelo R10. A repercussão despertou uma espécie de ira motivacional nos são-paulinos, como Rogério Ceni:

– Ele (Ronaldinho) tem todo o direito de vir jogar do jeito que ele quiser, isso não diminui a genialidade dele. Se ele veio para brincar, vai ter a oportunidade de jogar para valer na próxima.

A próxima ou as próximas seriam duas batalhas de ida e volta. Era o tricampeão do torneio tentando impedir a busca do Galo pelo inédito troféu.

A partida de ida, equilibrada. Os paulistas começaram bem melhor, até uma entrada violenta de Lúcio em Bernard mudar todas circunstâncias. Um 2 a 1 com muitas dificuldades. Era de se esperar.

Na volta, no Independência, prevaleceu a mística da arena, quando fazemos de lá a nossa casa: “Caiu no Horto, tá morto!” Fora o baile, as “ameaças”. O suposto “Jason” caiu de quatro. Morreu de fato. Jô (duas vezes) Tardelli e Réver trataram de estabelecer a classificação à próxima fase, sob o grito da Massa: “Ah, é jogo treino! Ah, é jogo treino…”

No final do massacre, o dentuço Gaúcho, ao ser provocado pelo repórter global, não deixou barato: “Aproveitando a deixa, quando tá valendo, tá valendo.”

Por que estou recapitulando todas essas cenas? É que, de um tempo para cá, o glorioso time alvinegro não tem dado bola a jogos que não valem nada. Inclusive – com todo respeito – aos disputados contra o maior rival. Constantemente, perdemos em jogos preparatórios, início de classificação e agigantamos nas grandes decisões. Perdemos em 2013 na reabertura do Mineirão (salão de festas), vencemos com folga na final, com direito a provocação com dancinha. Em 2014, perdemos sem perder. Um 0 a 0 chato, com direito a um pênalti escandaloso, não assinalado em cima de Jô aos 47 da etapa complementar. No final da temporada todos os traumas superados. Atlético prova ao mundo a superioridade em Minas, conquistando o único título nacional disputado em uma final entre ambos. 2015, deu Galo de novo no Mineirão todo azul.

Pois bem… o filme parece repetir-se agora. Perdemos quando podíamos perder. Uma atuação pela insignificante Primeira Liga e outra pelo Mineiro, quando sucumbimos numa desastrosa cotovelada do Fred num zagueiro celeste. Classificamos em primeiro. Desnecessários, os pontos perdidos naquele embate.

No confronto desse domingo (30), o Cruzeiro perdeu a grande oportunidade do ano.  O Galo centrado na competição maior do continente. Gastou muita energia contra o Libertad, enquanto o Mano estudava e preparava a sua equipe. Um placar meio sem sal, mas, interessante para nós que somos soberanos nesse estado, mais precisamente no Horto. E como diria um certo Gênio: “Quando tá valendo…”

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