sta semana, o G1 conversou com o Conselho Municipal de Saúde de Uberlândia (CMSU) sobre os principais problemas envolvendo a rede em Uberlândia. Segundo o órgão, entre eles estão os gargalos as filas de espera para atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), a logística de ambulâncias, a falta de insumos e medicamentos, bem como os atendimentos a pacientes com o pé diabético. Na entrevista, o órgão informou que tem se concentrado nessas questões, a fim de cobrar melhorias do Município e sugerir soluções. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura sobre as citações, mas até a publicação desta matéria o Executivo ainda não havia retornado.

Discussão dos problemas

Mensalmente os conselheiros do CMSU se reúnem para discutir os problemas na Saúde e afirmam que têm mantido diálogo com a atual gestão para resolver os impasses. Segundo a presidente da entidade, Tânia Lúcia dos Santos, os conselheiros das cinco regiões da cidade fazem parte desta tarefa.

“A gente aponta os erros, mas também propõe soluções. Não fazemos um trabalho de oposição ao Município e nem de parceria. Somos um elo de diálogo entre a comunidade e a gestão. Se a gente não consegue resolver os problemas com diálogo, recorremos ao Ministério Público”, destacou.

E um dos problemas da rede está no tratamento de pacientes com pé diabético. Na opinião do CMSU, muitas amputações poderiam ser evitadas se o atendimento primário, na atenção básica, fosse realizado corretamente para que o paciente não chegasse ao Hospital de Clínicas com a inflamação agravada.

Tânia dos Santos, presidente Conselho Municipal de Saúde de Uberlândia, falou ao G1 sobre o trabalho desempenhado por conselheiros  (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Tânia dos Santos, presidente Conselho Municipal de Saúde de Uberlândia, falou ao G1 sobre o trabalho desempenhado por conselheiros (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Em outras ocasiões, o paciente chega a perder procedimentos previamente agendados por falta de ambulâncias ou atraso das viaturas nas unidades de saúde. A desorganização na logística das ambulâncias, segundo ela, também acaba sobrecarregando ainda mais o serviço público de saúde e também está entre as reivindicações dos usuários.

As principais preocupações dos conselheiros também se concentram nas filas para consultas, exames e cirurgias, principalmente de pacientes cardíacos. “Se a UFU (Universidade Federal de Uberlândia) não for fazer esse serviço e os prestadores também não, estamos em uma situação muitíssimo grave, porque tem muita gente esperando para fazer o procedimento cardíaco. A fila para consulta oftalmológica e de exames de imagem também são enormes. Tem usuário esperando há cinco anos”, afirmou a presidente.

De acordo com o CMSU, todas essas questões são cobradas por meio de reuniões, ofícios, por intermédio da justiça e constadas em relatórios desenvolvidos pelos conselhos da cidade. Mas para isso é preciso que a comunidade denuncie ou faça sugestões ao Conselho por meio do telefone (34) 3239-2418.

Reorganização da rede

No mês passado, o CMSU realizou uma audiência pública com representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para discutir a reorganização da rede. A Fundação Saúde do Município de Uberlândia (Fundasus) está extinta, porém ainda em atividade devido a cerca de R$ 80 milhões em dívidas com os prestadores de serviço.

“O Conselho propõe discutir o melhor modelo de gestão para a Saúde. O Município quer retomar as OSs [organizações sociais], mas isso é falar em terceirização 100% da saúde. E a gente sabe que as prestadoras têm formas de trabalho diferentes e como ficará a acessibilidade dos conselheiros dentro deste modelo, uma vez que já enfrentamos dificuldades de fiscalizar as unidades administradas pelas organizações”, questionou Tânia.

Novas reuniões serão feitas para discussão do assunto e o conselho irá apresentar relatório detalhando os serviços que funcionavam por meio da fundação e aqueles que falhavam para propor melhorias.

UFU X UAIs

A outra sugestão proposta pelo CMSU para melhoria da rede é unificar a comunicação entre todas as unidades de saúde. “A UFU não comunica com a rede, mas já estão querendo criar um prontuário único. Isso seria um ganho muito grande para a sociedade. Porque se uma gestante é atendida na UAI [Unidade de Atendimento Integrado] do Bairro Martins com gravidez de alto risco e tem que ser transferida para a UFU, quando chega lá são pedidos todos os documentos novamente. Isso é desperdício do dinheiro público”, opinou.

Diretor do HC-UFU disse que intenção é atingir capacidade máxima de ocupação de leitos e produção até o meio do ano (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Diretor do HC-UFU disse que intenção é atingir capacidade máxima de ocupação de leitos e produção até o meio do ano (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Ainda na opinião da presidente do conselho, a crise na rede só foi agravada a partir do momento que o Hospital de Clínicas da UFU começou a suspender atendimentos e fechar as portas, sobrecarregando ainda mais as Unidades de Atendimento de Integrado.

Sobre o assunto, o diretor-geral do hospital, Eduardo Crosara, disse que a nova gestão vai concentrar esforços para ajudar o Município. No entanto, ainda que o hospital voltasse a atender em sua totalidade, não seria o suficiente para suprir a demanda.

“Nossa meta é que até o meio do ano nós possamos atingir nossa capacidade máxima de produção e ocupação de leitos. Mesmo isso acontecendo não iria resolver todos os problemas, porque a quantidade de leitos é insuficiente para a nossa região. Estamos empenhados em ajudar o Município mantendo nosso pronto-socorro, além de regulá-lo de portas aberta”, concluiu Crosara.

Odelmo Leão em coletiva sobre 100 dias de governo em Uberlândia (Foto: Reprodução/Facebook)

Odelmo Leão em coletiva sobre 100 dias de governo em Uberlândia (Foto: Reprodução/Facebook)

Balanço Prefeitura

No dia 10 de abril, o prefeito de Uberlândia fez um balanço do governo e a saúde estava entre o assuntos. Na visão de Odelmo Leão, disse que dos pagamentos que realizou no Executivo este ano, R$ 100 milhões foram para atender a saúde do município. Na data, comentou sobre as Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) dizendo que os problemas não foram sanados, mas que como o Hospital Municipal está funcionando com mais qualidade aliviou o atendimento nas unidades integradas. “O Hospital Municipal já retomou as atividades. O que falta é um equipamento que para funcionar precisa de exportar e estamos aguardando isso”, disse.